



Onde você encontra o que não procura, mas se sensibiliza com o que eu não sinto.
Essa semana bati um recorde: comi arroz e feijão todas as noites.
E o saldo foi tão positivo que a gripe que prometia me derrubar, não derrubou. Pelo contrário, tá saindo de fininho sem eu nem ter precisado gastar dinheiro com remédio. Tudo isso graças a Vera, uma moradora aqui da pensão que anda cozinhando pra gente - um anjo.
Hoje, por exemplo, comi arroz, feijão e ovo. Pobre? Talvez. Mas pra quem teve a sorte de crescer comendo só coisas boas, comer ovo hoje em dia é inclusive divertido. Além disso, a pobreza nunca está nas coisas, está nas pessoas.
Eu realmente não me importo em comer miojo, salsicha, tomar água ao invés de algum suco depois de jantar e assim por diante. Acho que nesse ponto fui extremamente bem criado pelos meus pais.
Embora eu seja a criatura mais fresca do planeta, não chego a ser uma pessoa exigente ou chata. É como minha mãe sempre diz: pra mim, qualquer paixão me diverte. E é exatamente assim que encaro meu dia-a-dia.
Claro que essa felicidade toda nada tem a ver com as minhas crises e angústias interiores. Mas, sabendo dividir e separar um carlos do outro, todo mundo acaba encontrando em mim um sujeito que topa qualquer boteco, qualquer assunto, qualquer música, qualquer ovo.
Deve até ser por isso que, com o passar dos anos, me transformei em alguém que vive rodeado de mulheres lindas e inteligentes. Porque só quem tem sensibilidade feminina consegue enxergar que o amarelo do ouro e o amarelo de um ovo, realmente, não são iguais. Mas o carinho com que ambos podem ser dedicados a alguém sim.
Dezoito minutos, nada além disso. Vai ser como foi. Vou dizer um pouco sobre tudo o que me vem à cabeça, me agrada ou desagrada.
O que me agrada? Ah, gosto de ter tempo para fazer coco lendo alguma revista. Pena que aqui na pensão consideram isso uma viadagem.
Aliás, por falar em viadagem, minha irmã comprou um celular lilás. É a coisa mais linda do mundo. É o celular que eu sempre quis. É o celular que faria meu pai se suicidar se me visse atendendo. E é por isso que eu não tenho um. Uma pena.
Mudando de assunto, ainda estou sangrando um pouquinho pelo Michael Jackson. Ninguém fica ou se comporta como um doido porque quer. E isso falo com conhecimento de causa. Existem algumas coisas na vida que fogem ao nosso controle. E o canhão dele era grande demais; cada tiro errado derrubava uma montanha. Enfim, que a recepção seja boa pra ele lá no inferno.
Pra fechar, gostaria de deixar pública minha tristeza por não escrever mais tanto aqui no blog. Mais que um exercício de puro exibicionismo, esta porcaria de blog sempre foi o lugar onde pude e posso praticar alguma coisa meio parecida com terapia ou coisa assim. Se não fosse esse blog idiota e a surpresa de ver algumas vezes as pessoas se identificando com meus pensamentos, talvez eu já estivesse ido para o mesmo buraco que o Michael.
Dessa forma, chego à conclusão de que ter onde dividir seus infernos com alguém é sempre muito bom. Mesmo quando o diabo, na verdade, é você.
Tô indo dormir. Agora. Não agüento mais. Dor nas costas infernal. Parece que joguei bola o dia todo, mas é puro estresse. Tensão total. Desgosto total. Insatisfação total. E isso tá se refletindo em tudo, até aqui. Não sei como não entrei em depressão ainda. Normalmente isso já teria entrado. Não sei como não to caindo na bebida. Normalmente isso já teria acontecido. Não sei como não tinha vindo aqui antes reclamar da vida. Bom, isso já acabo de fazer.
Agora o negócio é bater uma pra ver se relaxo e consigo dormir. Ontem tive que bater três; e ainda assim foi difícil.
Do jeito que as coisas andam, em breve não terei mais pau. Saco já não tenho mais.